domingo, 1 de julho de 2012

Filme quer mostrar que Jesus seria fruto de um estupro


O cineasta holandês Paul Verhoeven ficou conhecido por filmes como Robocop, O Vingador do Futuro e A Espiã. Ele também é escritor e agora pretende adaptar para o cinema seu próprio livro sobre Jesus.

“Jesus of Nazareth” é o nome do livro inédito no Brasil e do filme homônimo que começará a ser rodado em breve. Diferentemente da maioria das produções sobre o tema, o Cristo de Verhoeven não é o “filho de Deus” nem foi concebido de forma sobrenatural.

O novo longa mostrará Jesus enquanto homem, e que foca mais seu papel como líder político do que religioso, eliminando da narrativa qualquer milagre ou ligação divina. A mãe de Jesus teria sido estuprada por um soldado romano, o que, segundo Verhoeven, era comum durante o período de dominação romana da Palestina.

Segundo Verhoeven, ele pesquisou a história de Jesus durante décadas antes de pensar no livro e no filme. Sua intenção é contar a vida do nazareno de “ponto de vista científico, histórico e político”. Isso exclui, obviamente, a ressurreição, questão central da fé cristã.

Na visão do cineasta, que afirma não crer nos milagres relatados na Bíblia, “Jesus era um profeta radical e chegou a realizar exorcismos porque estava convencido de que iria morrer e se encontrar no Reino dos Céus, até Pôncio Pilatos crucificá-lo”.

“Se você olhar o homem, fica claro que você tem ali uma pessoa completamente inovadora no campo da ética. Minha paixão pessoal por Jesus surgiu quando eu comecei a perceber isso. Um novo conjunto de ética, uma abertura ao mundo, que era um anátema em um mundo dominado pelos romanos. A questão não são os milagres, mas a nova ordem ética, uma visão aberta em relação ao mundo, o que se opunha à dominação dos romanos.

Eu acredito que ele foi crucificado porque sentiram que, politicamente, ele era uma pessoa perigosa e que estava em crescimento. Os ideais de Jesus dizem respeito a uma utopia do comportamento humano, falam sobre como devemos tratar uns aos outros e como devemos nos colocar na pele de nossos inimigos”, acrescenta.

Segundo Verhoeven, ele está há anos procurando financiamento sem, sucesso, já que muitas pessoas e marcas não querem seus nomes ligados ao que a opinião pública pode atribuir como atitude herege. Agora, a Muse Productions de Chris Hanley (produtor de Psicopata Americano) decidiu bancar o longa que promete gerar muitas polêmicas.

Alguns líderes cristãos, como Bill Donohue, presidente da Liga Católica, já criticou o livro de Verhoeven, dizendo “Mais uma vez vemos uma especulação maldosa, baseada em absolutamente nada. Ele não tem nenhuma evidência empírica para sustentar sua alegação”.

O último filme sobre Jesus Cristo que atraiu polêmica foi “A Paixão de Cristo”, lançado em 2004 e produzido por Mel Gibson. Ele decidiu seguir os relatos bíblicos muito de perto, incluindo as línguas originais. Ainda é o filme religioso de maior sucesso de todos os tempos, arrecadando cerca de 612 milhões de dólares em bilheteria em todo o mundo. Mesmo assim, o longa foi acusado de ser anti-semita pela maneira como retratou o povo judeu.
Roger Avary, de Pulp Fiction e “A lenda de Beowulf” foi contratado para escrever o roteiro de “Jesus de Nazareth”. Ele é conhecido por seus trabalhos provocativos, como Regras da Atração. Avary estava há bastante tempo sem escrever um roteiro, pois estava cumprindo pena na prisão por homicídio involuntário e posse de drogas.

Ainda não há cronograma de produção, nem o nome dos atores ou data de lançamento. O mais provável é que seja lançado no final de 2014. É curioso que a notícia surge num momento em que há uma grande quantidade de filmes bíblicos sendo desenvolvidos, como Noah, de Darren Aronofsky, e Gods and Kings, história de Moisés que Steven Spielberg planeja fazer.

Fonte: Christian Post

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pesquisa confirma que não existem ateus num avião em pane


Helio Pariz

Manja aquele antigo ditado de que não existem ateus num avião em pane? Pois é, apesar de toda a oposição raivosa à sabedoria popular, uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, chegou à conclusão de que existe uma curiosa divisão na mente de uma pessoa não religiosa quando ela pensa na própria morte. De um lado, isto a faz ficar – conscientemente – mais cética a respeito da religião, enquanto, por outro lado, ela se torna – inconscientemente – mais receptiva à crença religiosa.

No que diz respeito às pessoas religiosas, a mesma pesquisa sugere que elas têm ambos os níveis – consciente e inconsciente – igualmente reforçados quando são levadas a pensar na própria morte. Os pesquisadores neozelandeses consideram que essas conclusões podem explicar a razão pela qual a religião é um atributo tão durável da natureza humana.

O trabalho reuniu um total de 265 estudantes religiosos e não religiosos em 3 pesquisas inter-relacionadas, em que os participantes foram aleatoriamente expostos a uma espécie de “preparação para a morte” e grupos de controle.

Esta “preparação” consistia em pedir a cada participante que escrevesse sobre os seus sentimentos em relação à sua própria morte ou, no caso dos grupos de controle (e confronto de dados), sobre assistir TV sem nenhum tipo de “preparação”.

No primeiro estudo, os pesquisadores descobriram que os participantes religiosos submetidos à “preparação para a morte” conscientemente declaravam uma crença maior em entidades religiosas que outros participantes crentes que não haviam sido expostos àquela “preparação”.

Já os estudantes não religiosos submetidos à “preparação” para a morte mostraram o efeito contrário: eles revelaram uma descrença maior do que os seus companheiros não religiosos que não haviam sido expostos à “preparação”.

O co-autor da pesquisa, o professor Jamin Halberstadt, disse que esses resultados batem com a teoria de que o medo da morte faz com que as pessoas estejam prontas para defender a sua própria visão de mundo, independentemente do fato delas serem religiosas ou não.

Prossegue Halbestadt: “Entretanto, quando nós analisamos as crenças inconscientes das pessoas nos dois últimos experimentos, surgiu uma figura diferente. Enquanto a “preparação para a morte” fez com que os participantes religiosos tivessem ainda mais certeza da realidade das entidades religiosas, os seus correspondentes não religiosos mostraram menos confiança na sua descrença”.

As técnicas utilizadas para estudar as crenças inconscientes incluíram a medição da velocidade com que os participantes afirmavam ou negavam a existência de Deus e de outras entidades religiosas.

Após serem expostos a pensamentos de morte, os participantes religiosos eram mais rápidos para pressionar um botão afirmando a existência de Deus, mas os descrentes eram mais lentos para apertar o botão negando a existência de Deus.

O professor Halbestadt concluiu, então, que “essas descobertas podem ajudar a resolver parte do quebra-cabeça que pergunta por que a religião é esse atributo tão persistente e disseminado na vida em sociedade. O medo da morte é uma experiência humana praticamente universal e se suspeita que as crenças religiosas desempenham um importante papel psicológico em rebater essa ansiedade. Como nós agora demonstramos, essas crenças operam tanto no nível consciente como inconsciente, permitindo que mesmo ateus declarados tirem – inconscientemente – vantagem delas”.

Entre os co-autores do estudo está Jonathan Jong, atualmente na Universidade de Oxford, que aproveitou as pesquisas para fazerem parte de sua tese de doutorado, e Matthias Bluemke, da Universidade de Heidelberg. Os resultados dos experimentos serão publicados no Journal of Experimental Social Psychology.

Fonte: ScienceDaily